Quarta-feira, Julho 01, 2009
Sexta-feira, Junho 19, 2009
Domingo, Junho 14, 2009
O impacto do asfalto sobre a cultura de espargos na Zâmbia!

Sophie vivia em Paris, perdida num mundo citadino e cumpria os seus 35 anos quando sentiu necessidade de se libertar dos seus vícios da vida moderna. Foi com o Budismo que descobriu uma viagem infinita ao seu interior e com a força dos pensamentos que ele lhe deu que ela decidiu mudar radicalmente a sua vida.
Despediu-se do seu emprego de fotógrafa de elite e partiu rumo às suas origens, Zâmbia.
Tentou desprender-se de tudo mas mesmo assim não deixava de ser aquela mulher glamourosa que caminhava de saltos altos na Avenue des Champs-Élysées até ao Rond Point onde frequentemente disfrutava do festival maravilhoso de flores coloridas e castanheiras frondosas.
Ao chegar a Lusaka esperava-a Gus, um alto e atraente guia da cidade que a levou ao Taj Pamodzi Hotel. Passaram-se vários dias e Sophie viu-se completamente conquistada pelo calor, paixão e simplicidade da terra vermelha. Gus apresentou-lhe a riqueza pura da Zâmbia e, sem o notarem os seus corpos cada vez chamavam um pelo outro, como a terra chama a chuva, como a Primavera chama os pássaros e as flores.
Foi num longo passeio pelas famosas cataratas de Vitória (Victoria Falls) que Sophie decidiu ficar. Fizeram amor na água como se aclamando a um pedido vindo dos céus inegável ao desejo dos seus corpos. E descobriram juntos a simplicidade de uma felicidade tão plena e tão completa.
Sophie pensou se não seria um contrasenso a inexistência de asfalto para passear os seus stylettos italianos... mas achou que o impacto do asfalto na cultura de espargos na Zâmbia seria muito mais catrastrófica do que se alguma vez tivesse imaginado antes optar por seguir a sua vida ali, onde encontrou não só a felicidade, mas um grande amor que a partilhara com ela.
E foi assim que os deixou para trás, como a vida que vivia em Paris, da qual apenas uma coisa manteve, a fotografia. Com a diferença de que, também ela assumiu um papel luminoso na sua vida, pois abraçou uma causa de uma associação de sensibilização pelos povos africanos.
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Sexta-feira, Junho 12, 2009
Segunda-feira, Junho 08, 2009
Ninguém meu amor

Ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Podem utilizá-lo nos espelhos
apagar com ele
os barcos de papel dos nossos lagos
podem obrigá-lo a parar
à entrada das casas mais baixas
podem ainda fazer
com que a noite gravite
hoje do mesmo lado
Mas ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Até que o sol degole
o horizonte em que um a um
nos deitam
vendando-nos os olhos.
[Sebastião Alba]
Segunda-feira, Maio 25, 2009
[amar] António Lobo Antunes

Amo-te tanto que te não sei amar, amo tanto o teu corpo e o que em ti não é o teu corpo que não compreendo porque nos perdemos se a cada passo te encontro, se sempre ao beijar-te beijei mais do que a carne de que és feita, se o nosso casamento definhou de mocidade como outros de velhice, se depois de ti a minha solidão incha do teu cheiro, do entusiasmo dos teus projectos e do redondo das tuas nádegas, se sufoco da ternura de que não consigo falar, aqui neste momento, amor, me despeço e te chamo sabendo que não virás e desejando que venhas do mesmo modo que, como diz Molero, um cego espera os olhos que encomendou pelo correio.
in "Memória de elefante [1979*]" de António Lobo Antunes**

* O ano do meu nascimento :)
** Este GRANDE senhor hoje participará numa conversa com o poeta e catedrático de literatura Luis Izquierdo, pelas 19h00, no auditório da Biblioteca Jaume Fuster (Pl. Lesseps 20-22 - Barcelona).Para mais informações podem consultar o sítio web:http://w3.bcn.es/V51/Serveis/AgendaRecomanada/V51AgendaRecomanadaIniciCtl/0,2169,99468069_99472061_1_842532771,00.html?accio=detall
Terça-feira, Maio 19, 2009
The sKy in her finGers
Post vencedor do ranking semanal, enjoy it!

Voo 45309X7.
Vasco entra no Airbus A380 e repara que é o único passageiro no segundo andar do avião. Esperavam-no longas horas até chegar a Buenos Aires e planeva rever os pontos que queria focar na apresentação que iria fazer de um produto novo da sua empresa.
Recostou-se no seu lugar e, depois de feitas as contas, decidiu deixar-se adormecer um pouco antes de começar a trabalhar.
Acordou com uma voz sensual ao seu ouvido, que lhe perguntou: What can i do for you, sir?
Ainda meio adormecido esfregou os olhos e fitou-a incrédulo ao se deparar com a sua beleza desenhada num corpete negro.
Ela sorriu-lhe, ele devolveu-lhe o sorriso com lascívia enquanto ela começava a desenhar com os seus dedos que lhe iam desabotoando as calças. Sem perguntas ele foi retirando a gravata e despindo a camisa num êxtase provocado pela forma como ela lhe acariciava os tomates e lambia o sexo. E não existiram cedências, mas um acordo mútuo mudo, quando ela passou a boca para os seus mamilos e se sentou cavalgando no seu sexo de pernas apoiadas nos seus ombros e braços agarrados ao seu tronco.
Ele agarrava-a pelas nádegas e oscilava as lambidelas desde as orelhas até ao pescoço, para logo se perder nas suas mamas brancas, frescas e boas como laranjas doces de Outubro. Apalpava-as quando mudava uma ou outra mão e lambia-as, chupava-as cheio de tesão.
As oito horas do voo foram passando enquanto eles voavam noutro sentido e nem uma palavra trocaram. Só sorrisos, risos, gritos e suspiros.
E aterraram exactamente três minutos antes do avião. Três minutos esses que se passaram entre a correria dele a vestir-se e arrumar as suas coisas e a sihuetta dela a desaparecer por trás da cortina.
Voo 45309X7.
Vasco sai do segundo andar do Airbus A380. Ela estava à porta do avião a despedir-se dos passageiros, sorri-lhe e diz-lhe: Hope you had a nice trip, sir. Thank you for choosing us.
Ele fica reticente na busca de um contacto, ms ela mecanicamente dirige o seu olhar para a próximo passageiro...
Ele foi o único passageiro com o privilégio de sobrevoar o paraíso do seu corpo. Mas foi ela que o fez voar e sair da sua pele onde ficaram marcados os seus dedos, para sempre.
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