Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Margaret


Sonhei contigo, Margaret. Já não pensava em ti há tanto tempo. Acho que de por tanto tempo dividirmos o mesmo homem acabei por te amar também a ti, como mulher. Tantas noites partilhámos a mesma cama, os mesmos gritos de prazer, as mesmas súplicas, o mesmo desespero, o mesmo êxtase, os mesmos sonhos inseguros, os mesmos sorrisos com o medo que os tivéssemos a roubar uma à outra. Amei-te, sim, Margaret. E não te consigo esquecer.


Lembras-te de quando lhe pedias para não parar e ele te dizia que eras perversa e tu o espremias entre as coxas torturando-o de prazer? Amei-te tanto como te odiei nessas noites e naqueles orgasmos que ele me deu sei que também eram teus e tinha raiva e ódio de mim, de ti, dele, de nós os três. Raiva e prazer nesses orgasmos.Queria-o tanto [só] para mim e tu [só] para ti, mas ele era nosso Margaret, era nosso. E nós a duas éramos [só] dele, as duas, [sós] para dele.


Aquele olhar enfeitiçado, embevecido quando me[te][nos] olhava era capaz de num segundo levar o meu[teu][nosso] mundo à perdição outras ao Paraíso. Lembro-me de como ficava todo vaidoso quando nos levava a um bar e nos embonecávamos todas, tentando equilibrar o nosso glamour entre saltos altos que se prendiam nos paralelos das ruas estreitas. Ele tentava caminhar mais devagar ou ia olhando de soslaio por trás dos nossos ombros para logo se perder, maravilhado, a olhar para a forma como as nossas nádegas se passeavam sublimemente ao som dessa música de clock, clock, clock...


Às vezes acho que ficava um pouco indeciso. Não entre nós as duas, mas entre o ondular dos nossos peitos e o das nossas nádegas. E parava. Sorria meio atrapalhado, e muito decidido colocava a mão direita na mama esquerda e a mão esquerda na nádega direita. E via-se feliz.Ele era feliz connosco, Margaret. E nós matámos este amor tentando separar metade dele para cada uma de nós. Matámo-lo Margaret. E agora ele já não é nosso, não é teu, não é meu, não é seu. Morreu, como uma flor arrancada da terra. E agora somos só[s] nós.

Ver também nesta Sequência de Contos, Edna

Pic: Geometry of relations by eugenebuzuk

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Un[dress]

No olhar parecia um menino amedrontado e excitado, ao mesmo tempo. Ela ficou orgulhosa do resultado do caminho que tinham vindo a percorrer. Amou-o mais, ainda, e mesmo que em silêncio ele devolveu-lhe esse mesmo amor.
Nesse dia olhou-o e emocionou-se olhando-o completamente despido, no seu colo. Já não tinha medo, entregava-se completamente.

Ali estalava ele, sem medo de falar das suas emoções, sem tentar controlar o que sentia. Ali estava. Sem cápsulas milagrosas, sem capas, sem máscaras, com as feridas a descoberto. Ele, despido. Completamente despido, como talvez nem sozinho alguma vez tivera a ousadia de se olhar, antes.
E, agora, teve. Com ela.
E quando se apercebeu, sorriu.




[Não há coisa mais enternecedora e arrebatadora do que um inesperado sorriso tímido do homem que amamos. Há coisas que superam as palavras...]

Segunda-feira, Setembro 28, 2009

Amar

A melhor forma de amar é nua.
Despida de escudos, armas, artifícios, medos, inseguranças ou receios.
A melhor forma de amor é amar e ser amado em nudez.
É raro, mas é possível encontrar um amor assim. Um amor que não precisa de roupas para aconchegar o coração. Nem capas para o proteger.
Pois a melhor forma de amar é assim: nua e crua.

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

amOking zOne



O cigarro saltou do maço num jogo de sedução que convidava a sua boca a beijá-lo, a tragá-lo e a desejá-lo. Já não era ela que o puxava para si, mas ele que se sentia atraído e viciado nela.

Quinta-feira, Setembro 03, 2009

DiálOgos acerca de ritmOs cardíacos, ou não



Ela
: Qual é o mal de amar, assim, tão intensamente?

Ele: Nenhum, de facto. Se ambos amarem num registro igual.

Ela: E se um amar a um ritmo mais intenso que o outro?

Ele: Há duas opções... Morte por acidente ou morte natural.

Ela: (Ri-se)
– Trágico. Como?

Ele: Ou o primeiro atropela o segundo devido ao excesso de intensidade, ou o segundo morre de ataque cardíaco tentando alcançar o primeiro.

Ela: Mmm... E não há hipótese de harmonia em dois corações tão desritmados?

Ele: Talvez... Se o primeiro aprender a respirar mais lentamente sem que com isso deixe de respirar totalmente e o segundo acelerar um pouco o ritmo sem que se chegue a asfixiar... Talvez consigam encontrar uma harmonia aí no meio.

Ela: Até que um dia ou primeiro se esqueça e volte ao seu registro normal, enforcando o segundo puxando com demasiada força o canal que liga a artéria pulmonar à aorta; ou o segundo se esqueça de deixar uma abertura maior na aorta para que o primeiro possa entrar e esse morra com uma contusão fatal ao embater nela com tanta força.

Ele: Já pensaste na hipótese de ambos juntos, conseguirem atingir um ritmo permanentemente possível de alcançar?

Ela: (Risos...)
– Ou isso. Sentes-te capaz de acelerar?

Ele: Ou tu de abrandar?

Ela: Não podemos ter certezas, de facto, sem antes se tentar.

Ele: (Sorri)

Ela: Não te esqueças de dizer à minha mãe que se eu morrer com uma aorta na cara, para me perdoar por morrer a praguejar e a sorrir ao mesmo tempo.

Ele: Ela sabe que nunca foste muito dada a ritos religiosos, creio que imagina que gostar de ajoelhar não é exactamente o mesmo do que rezar... (riso malicioso)

Ela: (Ri)

Ele: Mas porquê "a sorrir ao mesmo tempo", até a morte a imaginas assim?

Ela: Sabes bem que não a imagino, simplesmente. Mas sei que se lá chegar dessa forma quer dizer que, no caminho antes, fui muito feliz contigo em ritmos encontrados.

(Sorriem ambos)


Ele: Querida, será que, então, agora já me podes tirar o nó de marinheiro com que me ataste a gravata à cama, por favor?

Ela: Sempre teve ao teu alcançe soltá-lo. Basta que te inclines para a frente e me tires o uniforme de marinheira que me ofereceste à entrada. Debaixo dele tens umas bóias de salvação para não te afogares se o mar estiver intenso demais para ti.

Ele: (risos)
– Traiçoeira, enganaste-me.

Ela: (ri-se também)
– Não. A tua liberdade sempre esteve ao teu alcance, tu é que estavas demasiado ocupado a procurá-la e pouco atento para ver que ela sempre esteve aqui.



[pic by Fresh_Evy_Coffee]

Segunda-feira, Agosto 31, 2009

cOisas, são sempre as coisas...


Há coisas que procuro e não encontro. Outras tenho receio de já as ter perdido [em mim].
Assusto-me facilmente, comigo mesma.

Terça-feira, Agosto 25, 2009

jack johnson - better together (live)

There's no combination of words
I could put on the back of a postcard
No song that I could sing
But I can try for your heart
Our dreams, and they are made out of real things
Like a, shoebox of photographs
With sepiatone loving
Love is the answer,
At least for most of the questions in my heart
Like why are we here? And where do we go?
And how come it's so hard?
It's not always easy and
Sometimes life can be deceiving
I'll tell you one thing it's always better when we're together

[Chorus:]
MMM it's always better when we're together
Yeah, we'll look at the stars when we're together
Well, it's always better when we're together
Yeah, it's always better when we're together

And all of these moments
Just might find their way into my dreams tonight
But I know that they'll be gone
When the morning light sings
And brings new things
For tomorrow night you see
That they'll be gone too
Too many things I have to do
But if all of these dreams might find their way
Into my day to day scene
I'd be under the impression
I was somewhere in between
With only two
Just me and you
Not so many things we got to do
Or places we got to be
We'll Sit beneath the mango tree now

It's always better when we're together
Mmmm, we're somewhere in between together
Well, it's always better when we're together
Yeah, it's always better when we're together

MMmmmm MMMmmmm Mmmmmm
I believe in memories
They look so, so pretty when I sleep
Hey now, and when I wake up,
You look so pretty sleeping next to me
But there is not enough time,
And there is no, no song I could sing
And there is no, combination of words I could say
But I will still tell you one thing
We're better together.