sexta-feira, janeiro 22, 2010

Amor



Um dia apercebi-me que ele realmente me ama pelo que sou e fiquei deveras envergonhada pelos outros dias em que, secretamente, o quis mudar para a imagem do que eu pensava que ele era.

sexta-feira, novembro 20, 2009

Margaret


Sonhei contigo, Margaret. Já não pensava em ti há tanto tempo. Acho que de por tanto tempo dividirmos o mesmo homem acabei por te amar também a ti, como mulher. Tantas noites partilhámos a mesma cama, os mesmos gritos de prazer, as mesmas súplicas, o mesmo desespero, o mesmo êxtase, os mesmos sonhos inseguros, os mesmos sorrisos com o medo que os tivéssemos a roubar uma à outra. Amei-te, sim, Margaret. E não te consigo esquecer.


Lembras-te de quando lhe pedias para não parar e ele te dizia que eras perversa e tu o espremias entre as coxas torturando-o de prazer? Amei-te tanto como te odiei nessas noites e naqueles orgasmos que ele me deu sei que também eram teus e tinha raiva e ódio de mim, de ti, dele, de nós os três. Raiva e prazer nesses orgasmos.Queria-o tanto [só] para mim e tu [só] para ti, mas ele era nosso Margaret, era nosso. E nós a duas éramos [só] dele, as duas, [sós] para dele.


Aquele olhar enfeitiçado, embevecido quando me[te][nos] olhava era capaz de num segundo levar o meu[teu][nosso] mundo à perdição outras ao Paraíso. Lembro-me de como ficava todo vaidoso quando nos levava a um bar e nos embonecávamos todas, tentando equilibrar o nosso glamour entre saltos altos que se prendiam nos paralelos das ruas estreitas. Ele tentava caminhar mais devagar ou ia olhando de soslaio por trás dos nossos ombros para logo se perder, maravilhado, a olhar para a forma como as nossas nádegas se passeavam sublimemente ao som dessa música de clock, clock, clock...


Às vezes acho que ficava um pouco indeciso. Não entre nós as duas, mas entre o ondular dos nossos peitos e o das nossas nádegas. E parava. Sorria meio atrapalhado, e muito decidido colocava a mão direita na mama esquerda e a mão esquerda na nádega direita. E via-se feliz.Ele era feliz connosco, Margaret. E nós matámos este amor tentando separar metade dele para cada uma de nós. Matámo-lo Margaret. E agora ele já não é nosso, não é teu, não é meu, não é seu. Morreu, como uma flor arrancada da terra. E agora somos só[s] nós.


Ver também nesta Sequência de Contos, Edna e Leila

Pic: Geometry of relations by eugenebuzuk

terça-feira, outubro 27, 2009

Un[dress]

No olhar parecia um menino amedrontado e excitado, ao mesmo tempo. Ela ficou orgulhosa do resultado do caminho que tinham vindo a percorrer. Amou-o mais, ainda, e mesmo que em silêncio ele devolveu-lhe esse mesmo amor.
Nesse dia olhou-o e emocionou-se olhando-o completamente despido, no seu colo. Já não tinha medo, entregava-se completamente.

Ali estalava ele, sem medo de falar das suas emoções, sem tentar controlar o que sentia. Ali estava. Sem cápsulas milagrosas, sem capas, sem máscaras, com as feridas a descoberto. Ele, despido. Completamente despido, como talvez nem sozinho alguma vez tivera a ousadia de se olhar, antes.
E, agora, teve. Com ela.
E quando se apercebeu, sorriu.




[Não há coisa mais enternecedora e arrebatadora do que um inesperado sorriso tímido do homem que amamos. Há coisas que superam as palavras...]

segunda-feira, setembro 28, 2009

Amar

A melhor forma de amar é nua.
Despida de escudos, armas, artifícios, medos, inseguranças ou receios.
A melhor forma de amor é amar e ser amado em nudez.
É raro, mas é possível encontrar um amor assim. Um amor que não precisa de roupas para aconchegar o coração. Nem capas para o proteger.
Pois a melhor forma de amar é assim: nua e crua.

segunda-feira, setembro 21, 2009

amOking zOne



O cigarro saltou do maço num jogo de sedução que convidava a sua boca a beijá-lo, a tragá-lo e a desejá-lo. Já não era ela que o puxava para si, mas ele que se sentia atraído e viciado nela.

quinta-feira, setembro 03, 2009

DiálOgos acerca de ritmOs cardíacos, ou não



Ela
: Qual é o mal de amar, assim, tão intensamente?

Ele: Nenhum, de facto. Se ambos amarem num registro igual.

Ela: E se um amar a um ritmo mais intenso que o outro?

Ele: Há duas opções... Morte por acidente ou morte natural.

Ela: (Ri-se)
– Trágico. Como?

Ele: Ou o primeiro atropela o segundo devido ao excesso de intensidade, ou o segundo morre de ataque cardíaco tentando alcançar o primeiro.

Ela: Mmm... E não há hipótese de harmonia em dois corações tão desritmados?

Ele: Talvez... Se o primeiro aprender a respirar mais lentamente sem que com isso deixe de respirar totalmente e o segundo acelerar um pouco o ritmo sem que se chegue a asfixiar... Talvez consigam encontrar uma harmonia aí no meio.

Ela: Até que um dia ou primeiro se esqueça e volte ao seu registro normal, enforcando o segundo puxando com demasiada força o canal que liga a artéria pulmonar à aorta; ou o segundo se esqueça de deixar uma abertura maior na aorta para que o primeiro possa entrar e esse morra com uma contusão fatal ao embater nela com tanta força.

Ele: Já pensaste na hipótese de ambos juntos, conseguirem atingir um ritmo permanentemente possível de alcançar?

Ela: (Risos...)
– Ou isso. Sentes-te capaz de acelerar?

Ele: Ou tu de abrandar?

Ela: Não podemos ter certezas, de facto, sem antes se tentar.

Ele: (Sorri)

Ela: Não te esqueças de dizer à minha mãe que se eu morrer com uma aorta na cara, para me perdoar por morrer a praguejar e a sorrir ao mesmo tempo.

Ele: Ela sabe que nunca foste muito dada a ritos religiosos, creio que imagina que gostar de ajoelhar não é exactamente o mesmo do que rezar... (riso malicioso)

Ela: (Ri)

Ele: Mas porquê "a sorrir ao mesmo tempo", até a morte a imaginas assim?

Ela: Sabes bem que não a imagino, simplesmente. Mas sei que se lá chegar dessa forma quer dizer que, no caminho antes, fui muito feliz contigo em ritmos encontrados.

(Sorriem ambos)


Ele: Querida, será que, então, agora já me podes tirar o nó de marinheiro com que me ataste a gravata à cama, por favor?

Ela: Sempre teve ao teu alcançe soltá-lo. Basta que te inclines para a frente e me tires o uniforme de marinheira que me ofereceste à entrada. Debaixo dele tens umas bóias de salvação para não te afogares se o mar estiver intenso demais para ti.

Ele: (risos)
– Traiçoeira, enganaste-me.

Ela: (ri-se também)
– Não. A tua liberdade sempre esteve ao teu alcance, tu é que estavas demasiado ocupado a procurá-la e pouco atento para ver que ela sempre esteve aqui.



[pic by Fresh_Evy_Coffee]

segunda-feira, agosto 31, 2009

cOisas, são sempre as coisas...


Há coisas que procuro e não encontro. Outras tenho receio de já as ter perdido [em mim].
Assusto-me facilmente, comigo mesma.

terça-feira, agosto 25, 2009

jack johnson - better together (live)

There's no combination of words
I could put on the back of a postcard
No song that I could sing
But I can try for your heart
Our dreams, and they are made out of real things
Like a, shoebox of photographs
With sepiatone loving
Love is the answer,
At least for most of the questions in my heart
Like why are we here? And where do we go?
And how come it's so hard?
It's not always easy and
Sometimes life can be deceiving
I'll tell you one thing it's always better when we're together

[Chorus:]
MMM it's always better when we're together
Yeah, we'll look at the stars when we're together
Well, it's always better when we're together
Yeah, it's always better when we're together

And all of these moments
Just might find their way into my dreams tonight
But I know that they'll be gone
When the morning light sings
And brings new things
For tomorrow night you see
That they'll be gone too
Too many things I have to do
But if all of these dreams might find their way
Into my day to day scene
I'd be under the impression
I was somewhere in between
With only two
Just me and you
Not so many things we got to do
Or places we got to be
We'll Sit beneath the mango tree now

It's always better when we're together
Mmmm, we're somewhere in between together
Well, it's always better when we're together
Yeah, it's always better when we're together

MMmmmm MMMmmmm Mmmmmm
I believe in memories
They look so, so pretty when I sleep
Hey now, and when I wake up,
You look so pretty sleeping next to me
But there is not enough time,
And there is no, no song I could sing
And there is no, combination of words I could say
But I will still tell you one thing
We're better together.

quinta-feira, agosto 06, 2009

Aimee Mann – Ballantines

It must be hard ringing the bells
Of doors that don't swing wide anymore
It must be hard hearing the sound
Of voices just inside of the door

A man who couldn't hold your coat
Who's hung on ever antidote
So it must be hard watching the fellows gloat
Ballantines

It must be hard seeing the same old crowd
Just pass you by in the street
It must be tough knowing your stuff
Could only horrify the elite

You cut off everyone you know
Boy you told `em all where to go
Now it must be hard getting the same revoke
Ballantines

Well, patrons at the bar in Lexington Kentucky
Who sprung for every drink you downed
With things the way they are it's not that kind of party
If what you've got might just be good (?)

The fat cows won't be getting thin
Seeing the kind of jam you're in
Though the angels dance on the head of another pin

Ballantines
Ballantines
Ballantines

quarta-feira, agosto 05, 2009

Íris

Chegou hoje a princesa mais esperada pela meu coração, ao longo deste ano, a minha sobrinha Íris.
As lágrimas não param de escorrer pela minha face. Amo-a tanto. E ainda me faltam alguns dias até que, finalmente, a possa ver. Queria poder partilhar tanto com ela... Esta é a parte difícil de quando se elege um país diferente para viver.
Mas aqui e lá estarei e ela no meu coração, para sempre.

Bem-vinda, Íris!
Só me apetece chorar e abraçar-te, e sorrir-te...


HAPPINESS – Goldfrapp
http://www.youtube.com/watch?v=m9bO7WmmBf0

Make it better
We're here to welcome you!

quarta-feira, julho 01, 2009

Angelin Preljocaj - stravinski

Pina Bausch


Pina Bausch morrreu ontem, mas deixa todo um mundo de magia...

sexta-feira, junho 19, 2009


Styska se mi po tobe...

domingo, junho 14, 2009

O impacto do asfalto sobre a cultura de espargos na Zâmbia!




Sophie vivia em Paris, perdida num mundo citadino e cumpria os seus 35 anos quando sentiu necessidade de se libertar dos seus vícios da vida moderna. Foi com o Budismo que descobriu uma viagem infinita ao seu interior e com a força dos pensamentos que ele lhe deu que ela decidiu mudar radicalmente a sua vida.

Despediu-se do seu emprego de fotógrafa de elite e partiu rumo às suas origens, Zâmbia.
Tentou desprender-se de tudo mas mesmo assim não deixava de ser aquela mulher glamourosa que caminhava de saltos altos na Avenue des Champs-Élysées até ao Rond Point onde frequentemente disfrutava do festival maravilhoso de flores coloridas e castanheiras frondosas.

Ao chegar a Lusaka esperava-a Gus, um alto e atraente guia da cidade que a levou ao Taj Pamodzi Hotel. Passaram-se vários dias e Sophie viu-se completamente conquistada pelo calor, paixão e simplicidade da terra vermelha. Gus apresentou-lhe a riqueza pura da Zâmbia e, sem o notarem os seus corpos cada vez chamavam um pelo outro, como a terra chama a chuva, como a Primavera chama os pássaros e as flores.

Foi num longo passeio pelas famosas cataratas de Vitória (Victoria Falls) que Sophie decidiu ficar. Fizeram amor na água como se aclamando a um pedido vindo dos céus inegável ao desejo dos seus corpos. E descobriram juntos a simplicidade de uma felicidade tão plena e tão completa.

Sophie pensou se não seria um contrasenso a inexistência de asfalto para passear os seus stylettos italianos... mas achou que o impacto do asfalto na cultura de espargos na Zâmbia seria muito mais catrastrófica do que se alguma vez tivesse imaginado antes optar por seguir a sua vida ali, onde encontrou não só a felicidade, mas um grande amor que a partilhara com ela.

E foi assim que os deixou para trás, como a vida que vivia em Paris, da qual apenas uma coisa manteve, a fotografia. Com a diferença de que, também ela assumiu um papel luminoso na sua vida, pois abraçou uma causa de uma associação de sensibilização pelos povos africanos.

sexta-feira, junho 12, 2009

pOst



Este fim-de-semana sai post!
O impacto do asfalto sobre a cultura de espargos na Zâmbia




[Título sublime sugerido pelo Rafeiro]

segunda-feira, junho 08, 2009

Ninguém meu amor




Ninguém meu amor

ninguém como nós conhece o sol

Podem utilizá-lo nos espelhos

apagar com ele

os barcos de papel dos nossos lagos

podem obrigá-lo a parar

à entrada das casas mais baixas

podem ainda fazer

com que a noite gravite

hoje do mesmo lado

Mas ninguém meu amor

ninguém como nós conhece o sol

Até que o sol degole

o horizonte em que um a um

nos deitam

vendando-nos os olhos.

 

 [Sebastião Alba]

segunda-feira, maio 25, 2009

[amar] António Lobo Antunes




Amo-te tanto que te não sei amar, amo tanto o teu corpo e o que em ti não é o teu corpo que não compreendo porque nos perdemos se a cada passo te encontro, se sempre ao beijar-te beijei mais do que a carne de que és feita, se o nosso casamento definhou de mocidade como outros de velhice, se depois de ti a minha solidão incha do teu cheiro, do entusiasmo dos teus projectos e do redondo das tuas nádegas, se sufoco da ternura de que não consigo falar, aqui neste momento, amor, me despeço e te chamo sabendo que não virás e desejando que venhas do mesmo modo que, como diz Molero, um cego espera os olhos que encomendou pelo correio.



in "Memória de elefante [1979*]" de António Lobo Antunes**






* O ano do meu nascimento :)

** Este GRANDE senhor hoje participará numa conversa com o poeta e catedrático de literatura Luis Izquierdo, pelas 19h00, no auditório da Biblioteca Jaume Fuster (Pl. Lesseps 20-22 - Barcelona).Para mais informações podem consultar o sítio web:http://w3.bcn.es/V51/Serveis/AgendaRecomanada/V51AgendaRecomanadaIniciCtl/0,2169,99468069_99472061_1_842532771,00.html?accio=detall

terça-feira, maio 19, 2009

The sKy in her finGers

Post vencedor do ranking semanal, enjoy it!




Voo 45309X7.
Vasco entra no Airbus A380 e repara que é o único passageiro no segundo andar do avião. Esperavam-no longas horas até chegar a Buenos Aires e planeva rever os pontos que queria focar na apresentação que iria fazer de um produto novo da sua empresa.
Recostou-se no seu lugar e, depois de feitas as contas, decidiu deixar-se adormecer um pouco antes de começar a trabalhar.

Acordou com uma voz sensual ao seu ouvido, que lhe perguntou: What can i do for you, sir?
Ainda meio adormecido esfregou os olhos e fitou-a incrédulo ao se deparar com a sua beleza desenhada num corpete negro.
Ela sorriu-lhe, ele devolveu-lhe o sorriso com lascívia enquanto ela começava a desenhar com os seus dedos que lhe iam desabotoando as calças. Sem perguntas ele foi retirando a gravata e despindo a camisa num êxtase provocado pela forma como ela lhe acariciava os tomates e lambia o sexo. E não existiram cedências, mas um acordo mútuo mudo, quando ela passou a boca para os seus mamilos e se sentou cavalgando no seu sexo de pernas apoiadas nos seus ombros e braços agarrados ao seu tronco. 
Ele agarrava-a pelas nádegas e oscilava as lambidelas desde as orelhas até ao pescoço, para logo se perder nas suas mamas brancas, frescas e boas como laranjas doces de Outubro. Apalpava-as quando mudava uma ou outra mão e lambia-as, chupava-as cheio de tesão.

As oito horas do voo foram passando enquanto eles voavam noutro sentido e nem uma palavra trocaram. Só sorrisos, risos, gritos e suspiros.
E aterraram exactamente três minutos antes do avião. Três minutos esses que se passaram entre a correria dele a vestir-se e arrumar as suas coisas e a sihuetta dela a desaparecer por trás da cortina.

Voo 45309X7. 
Vasco sai do segundo andar do Airbus A380. Ela estava à porta do avião a despedir-se dos passageiros, sorri-lhe e diz-lhe: Hope you had a nice trip, sir. Thank you for choosing us.
Ele fica reticente na busca de um contacto, ms ela mecanicamente dirige o seu olhar para a próximo passageiro...

Ele foi o único passageiro com o privilégio de sobrevoar o paraíso do seu corpo. Mas foi ela que o fez voar e sair da sua pele onde ficaram marcados os seus dedos, para sempre.

quarta-feira, maio 13, 2009

It'S a questiOn of lOve



O amor abre ¿e cerra? as minhas interrogações.


Fragile
Like a baby in your arms
Be gentle with me
I'd never willingly
Do you harm

Apologies
Are all you seem to get from me
But just like a child
You make me smile
When you care for me
And you know...

It's a question of lust
It's a question of trust
It's a question of not letting
What we've built up
Crumble to dust
It is all of these things and more
That keep up together

Independence
Is still important for us though (we realise)
It's easy to make
The stupid mistake
Of letting go (do you know what I mean)

My weaknesses
You know each and every one (it frightens me)
But I need to drink
More than you seem to think
Before I'm anyone's
And you know...

Kiss me goodbye
When I'm on my own
But you know that I'd
Rather be home



[Depeche Mode]

sexta-feira, maio 08, 2009

Dança do ventre



I'm ready,
i'm ready fOr yOu!

Are you ready for me?